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Saturday, March 11, 2006
III

Então?...
Então. Assim sejam. Vamos conversar.

Por favor, entra.  Senta-te nessa cadeira. Sim. A da ponta. Essa que está suficientemente longe para apenas ler o teu gesticular. Os teus traços já pouco ou nada me interessam. Aliás, os teus traços enjooam-me ao ponto do choro.
Na verdade... Bem! Desejo apenas que vivas feliz, ...e longe. Desejo saber de ti esporádicamente, por conviniencia, como que do velho gato cinza me refiro.
Sou?! Porque é que não me espanta que te refiras assim? São males por defeito.
Já te descrevi o cenário? Pois bem, encontras-te comigo num sitio familiar do gato. Gato velho, manhoso, calculista, doente que pretende finalmente conversar, o cenário é a tua negra consiência nublada.





*escrito no servidor de um outro blog, algures entre 18 de Março a 02 Abril de 2004, mas nunca antes publicado

Posted at 04:29 am by reptilian
Comments (2)  

Friday, March 10, 2006
II

Lembra-me o cheiro a éter que pairava no ar da primeira/ultima vez que te visitei. Nausabundo.
E a textura era dos tubos de plástico previamente esterilizado e do roçar do latex das mãos com que me limpavam religiosamente o corpo.

Ali te vias deitado, na maca metálica, num corredor. A cor era pálida e pele, fria...  E um medo enorme cravado,  ódio, nos meus olhos.
 -  é o último dia dedicado à minha merda!... -


 
- Dói-me a cabeça... Passas-me a aspirina? Trazes-me um copo com água? 


E depois, novamente, as tonturas, o enjoo, o vómito. os tubos. a respiração.
A ansiedade. O arrepiu na espinha.
A risada nervosa e a convulsão espinal.
O desencantamento.

Aguentas ouvir-te gritar?

Posted at 08:27 pm by reptilian
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I

 Rebolei ligeiramente o corpo pela cama. Havia ali um certo desconforto. Os olhos forçavam as órbitas e a boca estava demasiado seca e com os dentes aveludados, como que a pedir por uma escovagem.
 Pensei que seria melhor levantar-me da cama, beber um chá já mais que frio no entanto o  peso dos braços impossibilitava-me de os levantar para puxar lençóis.
Só me restava continuar a rebolar.
O corpo, sim, se me  pesava. Pesava-me e pesava um pouco mais.
 Permaneci-me atemporal, consciente de que precisava de um coma - era o que me raspava as entranhas quando ao rebolar um pouco mais à esquerda fui ao encontro de um outro corpo. Se não te sentisse tão quente nem ouvisse a sua respiração cada vez mais ritmada diria que havia morrido há pelo menos setes horas. Mas com passar de uns minutos a dormência do sono foi desvanecendo, como que arfando o final.

Posted at 07:25 pm by reptilian
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Thursday, March 09, 2006
0

deliciosas palavras. as mais deliciosas palavras.  para ti.
porque só agora te abro o caderno onde durante todos os dias que passaram te desenhei letras.
amargas, saudosas, enraivecidas, carinhosas, ou, de outra forma, letras de amor.

Posted at 03:12 pm by reptilian
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